Schwerer Gustav, 80 cm K(E) Railway Gun (DORA), em Sevastopol

As fortalezas da cidade portuária de Sevastopol na Criméia eram das mais impressionantes do mundo (incluindo um imenso paiol fortificado situado a mais de 33m abaixo do leito da Baía Severnaya) e a sua defesa avizinhava-se, e seria mesmo, extremamente aguerrida e de espantosa tenacidade, na primavera de 1942.

Para se prepararem para o ataque, os Alemães reuniram um impressionante conjunto de peças de artilharia. Uma das peças que foi enviada para o cerco a Sevastopol, desmontada em vários comboios especiais, seria o imenso canhão de 80 cm “Schwerer Gustav” montado sobre carris numa linha dupla especialmente preparada para ele.

Bastante tempo antes de o canhão em si ser enviado, um pequeno exército de trabalhadores começaram a preparar o local de tiro escolhido em Bakhchisaray, uma pequena vila nos arredores de Sevastopol. Mais de 1500 homens sob o comando de uma unidade de engenharia do Exército Alemão escavaram uma enorme vala ao longo de uma pequena colina para construírem uma linha férrea dupla em forma de arco, e as laterais do corte feito na colina seriam ainda elevados para fornecer proteção para o canhão gigante. Para a chegada do canhão, a linha foi reforçada, e verificada em busca de eventuais pontos mais fracos para a passagem do “Schwerer Gustav”. Os trabalhos na zona de disparo atingiram tal ponto a área por detrás da curva das linhas de disparo parecia um verdadeiro ponto de linhas de cruzamento e manobra.

Duas Companhias de Guardas patrulhavam constantemente todo o perímetro da posição do canhão, e durante todo o tempo, havia um pequeno grupo de técnicos civis da Krupp que lidavam com os aspectos técnicos do carregamento do canhão e aconselhavam os soldados.

Os disparos começaram em 5 de Junho de 1942. O disparo do “Schwerer Gustav” era apenas um dos que se faziam notar num colossal coro que anunciava um dos maiores e mais pesados bombardeamentos de artilharia de todos os tempos (quando Sevastopol caiu no início de Julho de 1942, calcula-se que terão caído 562.944 projeteis de artilharia no porto).

Os primeiros alvos do “Schwerer Gustav” foram algumas baterias de costa que foram bombardeadas a 25.000m de distância e todos os disparos foram observados por voos especiais de Fieseler Fi156 Storchs da Luftwaffe atribuídos ao canhão. Apenas 8 projeteis foram necessários para demolir estes alvos e mais tarde nesse mesmo dia mais 6 projeteis foram disparados sobre as fortificações de Betão armado conhecidas como “Forte Estaline”. No final do dia, também este novo alvo estava reduzido a ruínas e começaram os preparativos para o dia seguinte.

O ritmo de disparo era geralmente de um projétil a cada 15 minutos. A preparação de cada projétil e respectiva carga era considerável e envolvia medir a temperatura de cada carga, efetuar cálculos envolvendo a temperatura do ar e ventos a diferentes altitudes, para além de colocar o projétil e a sua carga na culatra. O projétil e a sua carga tinham então de ser acoplados rigorosamente e o cano tinha de ser elevado para o ângulo correto. Tendo isto em atenção, 15 minutos era um tempo excelente.

A 6 de Junho, o “Schwerer Gustav” estava de novo em ação, inicialmente contra o “Forte Molotov”. Apenas 7 projeteis foram suficientes para demolir a estrutura completamente. Foi então que o canhão foi orientado contra o alvo conhecido como “Penhasco Branco”, que era o ponto de mira para um paiol subterrâneo situado mais de 33m abaixo do leito da Baía Severnaya, que tinha sido aí construído pelos Soviéticos para ser invulnerável a qualquer arma convencional. Não era, no entanto, invulnerável ao canhão de 80 cm K(E) “Schwerer Gustav”, pois apenas 9 projeteis disparados encontraram o seu caminho através do mar, e de mais de 33m de pedra e terra para além do fundo do mar, penetrando no paiol fortificado e explodindo no interior deste! Quando o “Schwerer Gustav” terminou de disparar o seu nono tiro, o paiol e o penhasco eram já um destroço e como cereja no topo do bolo, até um pequeno navio tinha sido afundado no processo!

No dia seguinte, 7 de Junho, o alvo era uma fortificação afastada, conhecida pelos Alemães como “Sudwestspitze” que era para ser alvo de ataque pela infantaria. Após apenas 7 disparos, o alvo estava pronto para a atenção da infantaria e a tripulação do “Schwerer Gustav” teria finalmente algum tempo para a manutenção do seu canhão, e para um relativo descanso até 11 de Junho. Nesse dia, o alvo seria o “Forte Sibéria”, que receberia mais 5 projeteis. Após mais uns dias de interrupção para descanso e manutenção, a 17 de Junho a atenção do colossal canhão seria virada para o “Forte Máximo Gorki” e toda a sua panóplia de baterias costeiras. Apenas 6 disparos e seria o fim!

A 1 de Julho Sevastopol tinha caído, o “Siege Train” Alemão ou “Comboio de Cerco” associado ao 11º Exército Alemão em Sevastopol (constituído por cerca de 670 peças de artilharia pesada, incluindo várias armas ferroviárias como os 28 cm K5(E) e outros, os Morteiros Pesados Karl, etc.…) seria de novo dispersado pela Europa e o “Schwerer Gustav” seria desmontado e levado de volta à Alemanha onde o seu cano seria trocado. Incluindo os 48 projeteis disparados em Sevastopol contra os alvos na Criméia, o “Schwerer Gustav” dispararia cerca de 300 projeteis na sua vida.

Nota: O ataque a Sevastopol foi inicialmente começado com uma barragem de 5 dias com todas as peças de artilharia que se conseguiram reunir para o 11º Exército às ordens de Von Manstein (incluindo as referidas 670 armas pesadas). O impacto era tal, que fez lembrar aos elementos mais antigos do Quartel General do 11º Exército, Verdun e St. Quentin, 25 anos antes! O abanar da terra provocado pelos morteiros de 615 mm e muitos outros, quer quando os projeteis caíam, quer quando eram disparados, era tal que teria feito registos bem elevados na escala de Richter. A isto juntava-se ainda o bombardeamento feito pela Luftwaffe que vinha de múltiplas bases, algumas tão longe como Perekop e até Odessa.
E depois havia o “Schwerer Gustav”, que tornava tudo o resto quase insignificante…

Tipo arma Siege
Lugar de origem Alemanha
Historico
No serviço 1941-1945
Utilizado por Wehrmacht
Guerras II Guerra Mundial
História de produção
Desenhista Krupp
Projetado 1934
Fabricante Krupp
O custo unitário 7000000 Reichsmark
Produzido 1941
Número construído 2
Especificações
Peso 1350 toneladas
Comprimento 47,3 m
Comprimento do canhão 32,48 m ( L/40.6 )
Largura 7,1 m
Altura 11,6 m
Tripulação 250 para montar a arma em três dias (54 horas) , 2.500 para colocar faixa escavação e aterros . 2 batalhões de Flak para proteger a arma de ataque aéreo.

Calibre 800 mm ( 31.5in )
Elevação Balistica Max de 48 °
Ciclo de tiro 1 ciclo a cada 30 a 45 minutos ou 14 ciclos normalmente em um dia
Velocidade do projetil 820 m / s (HE) , 720 m / s ( AP)
Alcance efetivo cerca de 39 km
Alcance máximo 48 km (HE) , 38 km ( AP)
comentários
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